top of page

O B-A-BÁ De Um Escritor | Degustação

Foto do escritor: JR Thomas
JR Thomas
16 de set.
7 min de leitura

Atualizado: 20 de set.

01 - Introdução — "Vambora?"

 

"Senta aqui, vamos conversar"

Eu não sou um escritor de best-sellers que ganha milhões por mês, muito pelo contrário. Então meu primeiro conselho — se você me permite — é:

"Não conte com seu livro para ganhar dinheiro de

imediato"

Escrever é, provavelmente, a forma mais difícil de fazer dinheiro. Sim, eu sei, você provavelmente está aqui porque ama escrever, mas, por via das dúvidas, é sempre bom dar um choque de realidade nos "iludidos de plantão", principalmente numa época em que um videozinho aparece com aquela tarjazinha vermelha escrito "SAIBA MAIS" na tela do seu celular.

São milhares de pessoas te vendendo milagres pra você começar a ganhar dinheiro hoje mesmo e fechar seu mês no Caribe. Não estou dizendo que não funcionem, mas gente... nada na vida é tão "facinho" assim. Tem muita coisa que funciona, mas tudo tem o "caminho das pedras" e nada é imediato. Tudo exige uma dose de trabalho prévio, inclusive escrever profissionalmente.

Desculpa se eu destruí seu sonho "quero ser um milionário" (aliás, eu também!), mas é melhor que você ouça de mim, que te amo, do que da sua consciência te dizendo "Não sabe de nada, inocente."

Escrever é uma delícia. Eu diria que é até terapêutico. E nessa hora você esquece que quer ser um milionário. Você só pensa "quero ver o livro pronto", "quero saber o que as pessoas vão achar", "quero..."

Com certeza é uma sensação que deve liberar algum tipo de hormônio do prazer dentro da gente, porque é tão gratificante terminar uma obra e se dizer: "isso veio de dentro de mim." É uma sensação para poucos.

E é nisso que eu quero ajudar você com a minha própria história. É assim que eu quero te ajudar a dar asas à imaginação e voar. Não pense em dinheiro num primeiro momento. Pense no prazer de escrever!

São etapas maravilhosas. Pra você entender melhor o que eu estou dizendo, vou colocar o refrão de uma letra de música que escrevi para meu musical "O Chapeleiro Maluco" (de 2012). Eu coloquei nas palavras do Chapeleiro exatamente o que eu sinto quando estou diante de um caderno escrevendo uma letra ou na frente da tela de um PC ou notebook.

"A criação é um processo sem igual

Criar é genial

Milhões de ideias vão passando na cabeça

Pra mim é natural"

Pra tudo existe técnica, inclusive para escrever. Mas talento é fundamental. Se você tiver talento, as técnicas vão ajudar, e muito, mas é o dom, o talento que vão te fazer sentir o processo do começo ao fim.

— Mas, Walter, como eu vou saber se tenho talento?

— Começando a escrever, ué!

Não quero que este material seja cheio de "receitas prontas" para você, mas acho pertinente te trazer sugestões que possam ajudar no seu desenvolvimento.

Neste momento, liberte-se do "tenho que". Obrigações de cara não vão te ajudar em nada. Comece com uma coisa simples. Pegue um caderno, de preferência, só para se exercitar. Se preferir, escreva no seu computador. Eu desaconselho o uso do celular ou até mesmo do tablet para escrever. As telas são pequenas, você não vai ter uma visão bacana do geral da sua escrita e nem vai perceber eventuais erros de digitação, gramática etc. Escreva onde achar melhor. Não existe regra.

Pense em um assunto que te inspire a escrever o primeiro parágrafo. Pode ser uma história, uma poesia, um pensamento, um conto, um romance de ficção... enfim, qualquer coisa que faça "cosquinhas" na sua vontade de criar.

Essa sugestão de escrita pode te surpreender. Às vezes a gente acha que não tem nada de bom para transmitir, mas isso é nosso ego trabalhando contra nós. Não deixe que ele fale mais alto que sua vontade.

Escreva! Mesmo que fique uma droga. Não ficou bom? Tente de novo. Sentiu que não era o momento certo? Para, continue sua leitura aqui e volte a escrever quando achar que pode desenvolver algo que pode te satisfazer.

Aqui vai outro conselho que aprendi na prática:

"Não procure nos outros a satisfação que mora dentro de você"

E eu te falo isso não porque as pessoas não torçam por nós. Muita gente torce, mas esse é um processo seu com você mesmo(a). Pare com esse vício de buscar validação nos outros. Dependa só de você, trabalhe por você e para você. Nada de dar aos outros o poder de dizer se o que você cria é bom ou não. Pelo menos não no início. Vai escrevendo. E vai documentando. Se estiver no PC ou no notebook, abra uma pasta só para isso e guarde tudo lá. Não jogue nada fora! Isso vai te ajudar muito no futuro a te mostrar o quanto você se desenvolveu. O quanto você mudou. O quanto sua percepção mudou.

Você não vai escrever de primeira a obra da sua vida. E não deve se exigir isso! Veja essa experiência como subir uma escada. Você não consegue chegar no quinto degrau sem ter pisado os outros. Assim será com o seu progresso com a escrita.


2 - Um pouco da minha história

 

"Quem sou eu para estar tendo essa conversa com você?"

Agora vou te contar um pouco sobre mim em relação à minha experiência com a escrita desde os primeiros passos. Sempre lembrando que essas partes são apenas para que você me conheça melhor e para te servir de inspiração. Você não precisa ter tido uma experiência como a minha, afinal, eu já disse: não sou um autor best-seller! Sua história pode ser totalmente diferente da minha e você se dar muito melhor que eu logo de cara. E eu vou ficar MUITO FELIZ se isso acontecer. Juro!

Eu sempre fui um garoto cujo tema "esportes" nunca foi meu forte. Meu papo sempre foi criar. Fosse desenho, fosse pintura, fosse artesanato, fosse escrever. Sempre fui de passar horas desenhando, mesmo antes de aprender a escrever. Mas meus desenhos tinham uma historinha por trás. Sempre.

Mas pelo que me lembro, foi na quinta série (hoje sexto ano do ensino fundamental) que tive contato com o prazer de escrever. Eu estudava na EEPSG Canadá, em Santos, e minha escola adotou um livro que usávamos uma vez por semana apenas.

Era um livro grande com páginas de quatro cores diferentes, cada cor tinha uma função. Uma cor tinha uma escrita (poesia, narração, história...), outra cor tinha compreensão de texto, a terceira cor era a parte teórica que ensinava como produzir algo parecido, e a quarta cor era destinada a produzir o nosso conteúdo próprio.

Para minha surpresa, eu comecei a me destacar muito nessas aulas — graças a Deus, já que nos esportes eu era um completo fiasco! — Minhas redações começaram a gerar uma certa expectativa dos colegas para ouvirem o que eu tinha a contar. Geralmente eram textos engraçados, inspirados em alguns colegas ou histórias aleatórias que eu criava.

A partir disso, comecei a pegar gosto por escrever. No ano seguinte, escrevi os primeiros esquetes para apresentar na aula de Educação Artística e, numa outra oportunidade, fiz minha primeira adaptação para o palco de uma das histórias do livro Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.

No início do colegial (atual Ensino Médio), mudei do Canadá para o Liceu Santista e lá fui abrindo minhas asinhas artísticas, sempre inventando alguma coisa para "fazer arte".

O "Liceu" era (e acredito que ainda seja, pelo que acompanho pela internet) uma escola muito arrojada e inovadora em vários aspectos. Eu queria mesmo fazer o curso de Magistério (que formava professores de ensino fundamental de primeira à quarta série), mas, devido às convenções da época, não era uma lei, mas era o habitual não ter rapazes no curso de Magistério, somente moças. Como eu pretendia entrar na faculdade após o ensino médio, fui fazer o colegial "normal", pois, além de não ter homens no curso que eu queria, matérias como física, química e biologia também não tinham para a turma do Magistério. As matérias em comum eram ministradas unindo as duas turmas: as garotas do magistério e os alunos do colegial. Por isso eu disse lá atrás que o Liceu era arrojado. Nenhuma escola fazia isso naquela época!

— Nossa, Walter! Pra que você tá contando essa história enorme? — Porque o livro é meu e porque eu quero que você entenda como foi o meu processo, "Pequeno Gafanhoto"!

E foi no último ano que, quando eu soube que as meninas do terceiro ano de Magistério iam fazer uma peça de teatro, eu, mais do que depressa, já fui pedir autorização para a professora do Magistério e para a diretora do colégio para participar de alguma forma. E me autorizaram! Foi então que me juntei com a minha colega Liliane, que era tão criativa quanto eu, e juntos escrevemos Bicho-wood, uma peça musical que usava músicas brasileiras "infantis" e tinha texto inédito, escrito a quatro mãos por mim e pela Liliane.

A única apresentação da peça acabou virando algumas apresentações. O sucesso do trabalho nos levou a sermos convidados para apresentar a peça na Concha Acústica de Santos, mas os pais de algumas das alunas não gostaram da exposição, então as apresentações ficaram restritas ao Anfiteatro da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Santos, onde também estudávamos em salas de aula emprestadas até a sede oficial do Liceu Santista ficar pronta. Ah, e foi aí que a minha carreira tem um pezinho na história da ditadura militar: fizemos apresentação para um censor do governo autorizar a apresentação pública da peça! Gente! Eu passei pela censura! Em 1982! Com uma peça infantil! Isso é histórico!

Eu te contei toda essa história para te dar um conselho prático: escreva o que você sente que te motiva neste momento. Se hoje for um esquete (cena de teatro de curta duração), começar um diário (recomendo muito!), fazer uma poesia... faça-o! Se amanhã for outra coisa, faça-a! Experimente-se. Ah, agora, neste momento, não se preocupe com técnica, vírgulas, gramática etc. Preocupe-se apenas com "o que você quer escrever" e "por que você quer escrever".

Comentários


bottom of page